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A democracia em crise – parte 1

O que é a democracia?

Uma pergunta em busca de uma resposta que venha atender os inúmeros pensamentos acerca do tema. A partir dessa terminologia, advinda do grego: demos (povo), kratos (poder), algumas posturas  são esperadas  por parte dos cidadãos de um determinado País, no caso  o Brasil,  a fim de que se possa construir uma estrutura representativa dos anseios dos cidadãos brasileiros que fizeram uma escolha politica através do voto.

A democracia enquanto representação das vontades do povo, mais especificamente, dos representantes que exercerão cargos variados vinculados a estrutura de Estado com a finalidade de que sejam tomadas as decisões de natureza política determinando os rumos do País.  Conforme Norberto Bobbio ensina:

Afirmo preliminarmente que o único modo de se chegar a um acordo quando se fala de democracia, entendida como contraposta a todas as formas de governo autocrático, é o de considerá-la caracterizada por um conjunto de regras (primárias ou fundamentais) que estabelecem quem está autorizado a tomar decisões coletivas e com quais procedimentos. Todo grupo social está obrigado a tomar decisões vinculatórias para todos os seus membros com o objetivo de prover a própria sobrevivência, tanto interna como externamente.[1]

É preciso enxergar alguns pontos à luz da realidade brasileira das últimas décadas: O advento das redes sociais permitiu um uma aproximação entre eleitores e eleitos, no entanto, algumas das mazelas que assolam a sociedade ainda permanecem, a fome, a miséria, as desigualdades, a busca por inclusão social, a precária educação, a insegurança, a falta de mobilidade urbana, a carência no campo da saúde, exemplificam muito bem que mesmo com uma proximidade entre aqueles que escolhem e os que são escolhidos não tem surtido a efetividade que se almeja sob a ótica da melhoria no campo de alguns direitos básicos que comporiam o primado da dignidade da pessoa humana.[1]

 As potencialidades no campo dos recursos naturais da economia do Brasil permitem muito bem ilustrar o quanto é importante o papel dos membros do Poder Executivo, nas três esferas de poder, isto é, federal, estadual e municipal, no objetivo fundamental do atendimento e concretização dos interesses de cada um de nós.

A democracia precisa ser resgatada para que não constitua um mero símbolo da História. O governo do povo precisa reagir, não ficando apenas no campo da discussão e debates dos posicionamentos políticos, mas que tenha o direcionamento de ideais, a reivindicação  dos interesses e  a luta pelos direitos.

O processo democrático visa transformar a realidade que entristece e assola a sociedade.

O pensamento que simboliza a democracia nos termos do discurso de Abraham Linconl em Gettysburg, de 19  de Novembro de 1863, como sendo “o governo do povo, pelo povo e para o povo”[2] precisa transcender os inscritos históricos, visando uma mudança mesmo que paulatina, mas efetiva, concretizando direitos, mudando realidades. A democracia brasileira pede constantes reflexões e algumas serão apontadas  por mim… em breve!!

 

[1] A democracia moderna, nascida como democracia representativa em contraposição à democracia dos antigos, deveria ser caracterizada pela representação política, isto é, por uma forma de representação na qual o representante, sendo chamado a perseguir os interesses da nação, não pode estar sujeito a um mandato vinculado. BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2009, p. 36.

[2] Gettysburg Address, in HOFSTADTER, Richard.  Great issues  in American history. New York:Vintage Books,1958.p.414.

[1] BOBBIO, Norberto. O futuro da democracia. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2009, p. 30

 

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